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Ditames, provérbios, anexins, rifões, refrães, máximas, aforismos, conselhos, princípios, axiomas...
I n t r o d u ç ã o
  Caro visitante,

Provavelmente, você é uma daquelas pessoas que gosta de provérbios mas nunca se deu ao trabalho de meditar um pouco sobre o assunto. Muitas pessoas, defendem que um provérbio é uma frase criada pelo povo mas, numa análise mais cuidada, o tema mostra-se bastante mais complexo.

José Ricardo Marques da Costa, em 'O Livro dos Provérbios Portugueses', da Editorial Presença, faz uma abordagem absolutamente notável a este assunto, reflectindo um pouco o que acontece com cada um de nós, coleccionadores de ditames, e que nós - publicidade à parte - lhe aconselhamos vivamente a ler, na íntegra, caso aprecie o tema e tenha oportunidade.

Ditame, do Lat. dictamen, s. m., máxima de moral, de prudência; aquilo que a consciência e a razão ditam; ordem; aviso; regra; doutrina.

Provérbio, do Lat. proverbiu, s. m., máxima expressa em poucas palavras, tendo-se popularizado; sentença moral; adágio; rifão; ditado, anexim; pequena comédia em que se desenvolve um rifão ou sentença moral.

Anexim, do Ár. annexid, coplas recitadas; s. m., dito sentencioso; rifão; adágio.

Rifão, dissimilação de refrão; s. m., provérbio; adágio; anexim.

Refrão, do Prov. refranh; s. m., estribilho; adágio; anexim.

Aforismo, do Lat. aphorismu < Gr. aphorismós, delimitação, s. m., proposição; máxima; rifão; sentença que em poucas palavras encerra um princípio moral.

Axioma, do Lat. axioma + Gr. axíoma, opinião, dogma, s. m., proposição evidente; proposição que não carece de demonstração; máxima; sentença.

 
 
Excertos da Introdução ao
'O Livro dos Provérbios Portugueses'
Copyright © José Ricardo Marques da Costa e Editorial Presença, Lisboa, 1999.

« Desde muito jovem que dedico um muito especial carinho aos provérbios. Sentia-os sempre como a síntese moral duma história, a sentença ou a lição curta relativa a uma qualquer situação, o chiste gostoso, a pequena rima que encerrava uma verdade universal, vox populi na sua mais clara, evidente e singela forma. (...)

(...) Nas mais das vezes chamava-lhes ditados e, como reforço da minha crença na sua origem, adjectiva-
va-os de populares. (...)

(...) Mas, logo que se começou a ordenação dos primeiros quatro ou cinco mil ditados recolhidos e houve que buscar fontes menos disponíveis, não foram poucas as dúvidas que me assaltaram e as contradições que encontrei. E isto porque alguns autores faziam distinção, uns de forma mais nítida do que outros, dos nomes dados ao que eu, numa primeira abordagem, entendi ser uma única substância.

Que procurava eu então ? Adágios, que para um eram máximas, sentenças, rifões e ditos populares; que para o Padre Delicado eram «ditos antigos que servem para a direcção da vida comum»; que Antero de Figueiredo e D. Francisco Manoel de Melo equiparavam a rifões e anexins, chamando-lhes o primeiro «cristais da verdade talhados na experiência» e o segundo (...) «sentenças verdadeiras que a experiência, suma mestra das artes, pronunciou pelas bocas do povo» (...)

(...) Ou provérbios, que a sinonímia mais comum trata como máximas expressas em poucas palavras e que se tornaram populares, igualando a sentenças morais, adágios, ditados, anexins e rifões; que Erasmo caracteriza como vulgares, sem ambiguidades e vulgarmente aceites por todos e muito frequentemente empregues; que Correia de Lacerda diz ser «dito sentencioso» menos vulgar que o adágio e de moral mais segura e menos severa ?

Ou ditados, que alguns dicionários identificam como ditames, provérbios, anexins, rifões, refrães, máximas, aforismos, apotegmas, conselhos, princípios e axiomas; que para Antero de Figueiredo eram «sentenças populares que encerram, em poucas palavras, verdades ou máximas morais, confirmadas pelo decurso de gerações; que Correia de Lacerda considera serem «palavras populares que significam o mesmo que adágios» e, finalmente, que muitos outros dizem provirem de livros sagrados, de mitos, de contos, de fábulas e de lendas da história, não deixando de referir, porém, que os mais interessantes são os criados pelo povo ?

Atentando bem, uma enorme quantidade dos chamados provérbios constitui um repositório de regras de comportamento que, pelo carácter impositivo e, em muitos casos, aconselhando respeito, submissão e humildade, parecem negar a raíz popular, evidenciando origens em minorias bem mais poderosas: a Igreja, a realeza e a burguesia. F. Ribeiro de Mello, sem aparente hesitação, toma a este respeito uma posição clara e estremada: os provérbios não são populares. (...) »

O autor, a determinada altura confessa mesmo que « Vieram depois outras dúvidas », fazendo uma descrição de cada uma delas, acompanhadas de exemplos concretos.

« (...) Que deveria fazer ?
Sem solução fácil à vista, decidi-me pela inclusão de todos.
Há ainda um ror de casos de non sense que igualmente aceitei, porque, apesar de reconhecer a juventude da maior parte deles, alguns deram provas de alguma maturidade. (...)

(...) Senti algumas dificuldades na classificação temática; em cada revisão que fazia, corrigia uma meia dúzia de classificações antes feitas e, mesmo assim, não só não fiquei plenamente satisfeito com os resultados, como deixei sem classificação um pouco mais de duas centenas de provérbios (...) »

O tema está longe de ser pacífico e as opiniões são diversas:

« (...) Caberá a estudiosos, e não a um simples curioso, a análise profunda de todos estes casos e a correcta separação de frases com boas raízes, de corruptelas das mesmas, de brincadeiras indevidamente assimiladas ou, sabe-se lá, de erros de transmissão oral ou de transcrição que se foram consolidando no decorrer dos tempos. (...) »

  Não duvidamos que sinta algumas reservas relativamente a algumas sentenças aqui mencionadas, nem pretendemos substituír outras obras de valor superior. Pretendemos, apenas, que você medite um pouco.
 
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